Enquanto a violência sempre atacou os bairros periféricos de Cáceres, a estratégia do Governo do Mauro Mendes para “combater o crime” tem chamado mais atenção pelo cenário do que pela efetividade. Cavalaria posicionada na Praça Barão, viaturas concentradas no Centro e helicóptero sobrevoando a região da prefeitura criam uma forte "sensação de segurança",  ainda que a realidade seja bem diferente para quem vive fora do cartão-postal da cidade.

Nos últimos meses, Cáceres tem enfrentado uma escalada preocupante da violência, com crimes cometidos dentro de residências, execuções, mortes por engano e relatos de pessoas marcadas para morrer circulando abertamente nas redes sociais. Esses crimes, no entanto, não acontecem na Praça Barão, nem nas imediações da prefeitura. A violência tem endereço certo: bairros afastados, regiões periféricas e áreas onde o Estado quase nunca chega.

Mesmo assim, a resposta do governo Mauro Mendes, por meio da Secretaria de Segurança Pública, tem sido concentrar aparato ostensivo justamente onde o crime não está. Cavalos, viaturas, policiais fortemente equipados e helicóptero compõem uma espécie de cenário de vitrine, que impressiona quem passa pelo Centro, mas pouco altera a rotina de quem vive sob medo constante nas extremidades da cidade.

A estratégia parece clara: mostrar força, ainda que sem atacar o foco real do problema. Segurança pública, porém, não se faz com espetáculo. Não se faz para foto, nem para discurso. Se faz com inteligência, presença territorial e ações permanentes onde o crime realmente atua.

O resultado prático dessa política é uma cidade dividida. No Centro, a impressão é de ordem. Nos bairros, o sentimento é de abandono. A cavalaria desfila na praça enquanto mães choram filhos perdidos longe dali. O helicóptero sobrevoa prédios públicos enquanto o cidadão comum segue refém da insegurança em casa.

A pergunta que fica é simples: segurança para quem?
Porque, do jeito que está, parece que o crime pode esperar — desde que fique longe da praça.